Programme for International Student Assessment (Pisa) – Programa Internacional de Avaliação de Estudantes – é uma iniciativa de avaliação comparada, aplicada de forma amostral a estudantes matriculados a partir do 7º ano do ensino fundamental na faixa etária dos 15 anos e é coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). As avaliações do Pisa acontecem a cada três anos e abrangem três áreas do conhecimento – Leitura, Matemática e Ciências – havendo, a cada edição do programa, maior ênfase em cada uma dessas áreas. Em 2015 também foram inclusas as áreas de Competência Financeira e Resolução Colaborativa de Problemas.

Com relação à competência financeira, o Brasil conseguiu ficar em último lugar. Atrás, inclusive, do Peru, país muito mais pobre. O líder foi a China. Como parâmetro, o Peru está cm uma pontuação 2,5% acima do Brasil enquanto a China possui 44% a mais.

Cerca de 53% dos alunos não atingiram o nível básico de conhecimentos financeiros. A China ficou com 9%. O relatório associa a habilidade financeira dos alunos ao desejo de terem maior formação acadêmica ou à intenção de economiza antes de se endividarem. De acordo com Ángel Gurría, secretário-geral da OCDE, “os alunos não conseguem perceber como funciona um simples orçamento ou entender a relação entre o que custa comprar um veículo e as despesas envolvidas nessa compra”. Apenas 3% demonstraram “rendimento de destaque” em competência financeira, o que significa saber “analisar produtos financeiros complexos” e “resolver problemas financeiros não rotineiros”. Uma constatação importante é que o Brasil investiu há mais tempo em educação financeira em relação ao Peru e o Chile e mesmo assim seus resultados foram piores.

O estudo indica que há uma correlação entre positiva entre o conhecimento em matemática, ciências e leitura e em finanças, assim como a renda per capita mais alta, melhor distribuição de renda e maior percentual da população com contas em banco. Isso significa que, quanto maiores esses índices, tende a ser maior o conhecimento em finanças. Uma ressalva importante é que, pela correlação entre renda per capita e conhecimento financeiro, a nota dos brasileiros deveria ser mais alta. Isso pode indicar uma ineficiência no gasto com educação no país. Outra ressalva é que o Brasil apresenta uma nota baixa em relação à esperada com relação aos jovens que possuem conta bancária.

A ignorância financeira não é exclusividade dos jovens. Uma pesquisa do SEBRAE aponta que 77% dos empreendedores autônomos que faturam até R$81.000,00 por ano nunca fizeram um curso ou treinamento em finanças. 48% não fazem previsão de gastos, 50% ainda usam o caderno para anotar gastos, 39% não registram todas as receitas e 34% não acompanham, ou acompanham no máximo uma vez ao mês, o saldo de caixa.

O estudo revela que a renda é um fator importante para o desempenho dos alunos: No Brasil, o primeiro quartil (25% mais pobres) teve nota média de 364 pontos, enquanto que o quarto quartil (25% mais ricos) teve nota média de 441 pontos, uma diferença de 21%. Outra correlação positiva importante é a obtida entre o conhecimento das outras disciplinas com o conhecimento financeiro. Quanto maior um, maior outro.

Outro aspecto que chama a atenção no estudo é que o Brasil está entre os seis países que com maior taxa de estudantes no mercado de trabalho, com 43,7%. Índice muito superior à média dos países membros da Organização para Cooperação de Desenvolvimento Econômico (OCDE). O país que possui o menor índice é a Coréia do Sul com 5,9%, país referência em educação. De acordo com a OCDE, estudante que trabalha tende a ter um desempenho inferior, maior tendência a não se enquadrar no ambiente escolar, deixar a escola antes do fim do ensino médio e faltar ou chegar atrasado nas aulas com frequência.

Alguns dados analisados pela primeira vez também chamam atenção: 81% se dizem ansiosos com relação às provas, mesmo estando bem preparados. O Brasil ficou em segundo lugar nesse quesito. A média dos países da OCDE é 55% e a Suíça ficou o menor índice, 33,5%. Outros números: 56% ficam muito tensos quando estudam, contra 36% da média da OCDE.

No Pisa 2015, 72 países foram avaliados. O Brasil ficou em 63º em ciências, 59º em leitura e 66º em matemática. Na pontuação, em ciências obtivemos 401 pontos, enquanto a média da OCDE foi de 493 (diferença de 23%), em leitura 407 pontos em relação à 493 (diferença de 21%) e em matemática 377 pontos contra 490 (diferença de 30%). No total, 44% dos estudantes brasileiros tiveram performance abaixo do nível 2, que é considerado adequado. Em matemática, 70% ficaram abaixo do esperado.

Para Patrícia Mota Guedes, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Fundação Itaú Social, “Entre os países que se destacaram no exame, vemos um contexto de valorização do professor muito forte, tanto no ponto de vista da carreira, da formação inicial e continuada, como nos critérios de seleção”.

Com relação ao investimento, é importante destacar alguns dados do relatório: países como Colômbia, México e Uruguai tiveram resultados melhores que o Brasil mesmo com um investimento médio menor por aluno.

Conforme o cronograma as provas de 2018 devem ter sido realizadas em Maio e a divulgação prevista para o segundo semestre de 2019. Quanto aos resultados, façam suas apostas.

 

Fontes:

http://portal.inep.gov.br/pisa

https://www.linkedin.com/pulse/um-pa%C3%ADs-de-analfabetos-financeiros-ricardo-amorim/

http://www.ajmc.com.br/2017/07/21/conhecimento-financeiro-dos-jovens-tem-espaco-para-ser-ampliado-no-brasil/

https://educacao.uol.com.br/noticias/2017/04/19/no-brasil-44-dos-estudantes-de-15-e-16-anos-trabalham-mostra-ranking.htm

https://www.terra.com.br/noticias/mundo/europa/estudantes-brasileiros-sao-os-piores-em-compreensao-financeira-segundo-ocde,457eb4be2c2b7354b893dcec39ea290708vx2x9g.html

http://www.cartaeducacao.com.br/reportagens/brasil-mantem-ultimas-colocacoes-no-pisa/